Especial 107 anos – 78

Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no facebook
Compartilhar no telegram
Compartilhar no twitter
Compartilhar no email

Único Campeão Brasileiro do interior do Brasil. Este feito perdura há quase 40 anos. Maior glória da história do Guarani Futebol Clube, o título de 1978 elevou o nome do gigante alviverde para o cenário nacional e internacional do futebol.

Neste capítulo resgataremos a história por trás da trajetória Bugrina até a conquista do Campeonato Brasileiro de 1978.

78

Neneca; Mauro, Gomes, Édson e Miranda; Zé Carlos, Zenon e Renato; Capitão, Careca e Bozó. O torcedor Bugrino jamais esquecerá deste time. Ídolos. Lendas. Que alcançaram o que até hoje é o maior feito da história do Guarani Futebol Clube. Mas afinal, como isso aconteceu?

Formado por mescla de jovens promessas das categorias de base do clube e de jogadores experientes o Guarani iniciou a competição desacreditado. Na oportunidade, o presidente do Bugre, Ricardo Chuffi, apostou na contratação do, até então desconhecido, Carlos Alberto Silva que realizara um bom trabalho à frente da Caldense – MG para ser o comandante do time.

Para a mídia da época a chance de tudo aquilo dar errado era grande, ainda mais com o início precoce do Campeonato Brasileiro, em março, por causa da Copa do Mundo. No entanto, o grupo bugrino  trabalhou com muito empenho para mostrar, em campo, que poderia alcançar um bom resultado no torneio nacional.

A estreia no campeonato Brasileiro foi contra o Vasco com derrota por  3 a 1, no Brinco de Ouro. Porém, o revés não abalou a equipe. Nos dois jogos seguintes, o Bugre bateu Bahia e CSA e retomou o caminho das vitórias. Entretanto, nos três jogos seguintes o Alviverde não conseguiu vencer nenhum e empatou com: Vitória, CRB e Sergipe. No retorno ao Brinco de Ouro, o time campineiro reencontrou o caminho da vitória e, que vitória, sonoros 5 a 0 pra cima do Confiança, na partida que antecedia o dérbi.

Com um time  entrosado, o Bugre fez valer o mando de campo e venceu a AAPP por 2 a 0, com dois gols do jovem Careca. O resultado colocou o Bugre na vice-liderança do Grupo D e praticamente garantiu a classificação à segunda fase do Campeonato Brasileiro.

Em um sistema de todos contra todos, a segunda fase começou com um empate diante do São Paulo e uma vitória contra o  Brasília. Na terceira rodada o Bugre sofreu um acidente no percurso. Em Belém, diante do Remo, uma derrota por 5 a 1. Entretanto, a derrota foi rapidamente superada com uma vitória diante Caxias, em casa, e um empate com o Vasco, no Rio. Em meio à Copa do Mundo, o Bugre perdeu para a Portuguesa, fora de casa, por 2 a 0, empatou sem gols com o Coritiba, em casa, e venceu o Villa Nova-MG, em casa, por 2 a 0, garantindo assim a classificação para a terceira fase.

No grupo Q, ao lado de mais sete times, o Bugre era um dos favoritos ao lado de Santos e do poderoso Internacional. O Alviverde iniciara sua caminhada justamente diante dos gaúchos. Porém, o Colorado, vivendo um grande momento dentro da competição -, desdenhou da equipe campineira. Na oportunidade, a imprensa gaúcha classificou o ataque Bugrino como: “Time de circo e risos”. A piada era em alusão aos nomes dos componentes do trio ofensivo do Guarani, Capitão, Careca e Bozó.

A gozação para com o Guarani foi lembrada pelo técnico Carlos Alberto Silva para motivar seus atletas em busca da vitória. Naquele momento do campeonato, mais do que nunca,  era precisa mostrar a todos que o Guarani era um time eficiente e poderia brigar pelo título. Mesmo diante de Falcão, Batista, Chico Spina, Valdomiro e Caçapava, o Bugre não se intimidou e deu um verdadeiro show no gramado do Beira Rio naquele dia 02 de julho de 1978. Renato, Bozó e Zenon marcaram os gols na vitória por 3 a 0 em pleno Beira-Rio.

A vitória sobre o Inter embalou o Guarani e mostrou que a equipe poderia chegar longe na competição. Depois do resultado diante do Internacional, o Bugre tropeçou diante do Goiás, fora de casa, e posteriormente venceu os cinco jogos restantes daquela fase (Santos, Botafogo – PB, Goytacaz, Botafogo – SP e Londrina.

Classificado em primeiro lugar às quartas de finais foi a vez de enfrentar o Sport. Com gols de Zenon e Capitão, o time paulista venceu por 2 a 0 e foi com uma confortável vantagem para o duelo de volta, em Campinas. Nele, um show e goleada por 4 a 0, com dois gols de Capitão, um de Renato e outro de Miranda.

Na semifinal foi foi a vez de encarar o Vasco. Em um Brinco de Ouro lotado, o Alviverde venceu uma verdadeira guerra. Com dois expulsos ao fim da partida, o Guarani bateu os cariocas pelo placar de 2 a 0. O jogo da volta a atmosfera era ainda mais hostil. Com mais de 100 mil pessoas, Zenon brilhou, marcou duas vezes e pela primeira vez na história colocou o Guarani em uma final de campeonato brasileiro. Ainda teve tempo de Dirceu  descontrar para o cruzmaltino e encerrar invencibilidade de 778 minutos do goleiro Neneca sem levar gols.

A grande final foi um capítulo a parte. Pela frente, o poderoso Palmeiras. O duelo começou antes mesmo da bola rolar, a Federação Paulista de Futebol propôs que as duas finais fossem disputadas em São Paulo, porém, a Confederação Brasileiro de Desportos vetou e garantiu o segundo jogo da finalíssima em Campinas pelo fato do Bugre possuir melhor campanha que o Palmeiras.

Na primeira partida, em São Paulo, cerca de 360 ônibus deixaram a cidade de Campinas rumo ao Morumbi. No total,  mais de 25 mil torcedores do Guarani em um  Morumbi lotado para empurrar o time rumo à vitória. A partida foi muito tensa e o lance decisivo aconteceu após um desequilíbrio do goleiro Emerson Leão. O arqueiro do Alviverde acertou Careca dentro da área em um lance sem bola e o árbitro Arnaldo Cezar Coelho marcou pênalti. Zenon cobrou e fez. Bastava um empate no jogo de volta no Brinco para carimbar o título.

No jogo da volta brilhou novamente a estrela do menino Careca. Aos 36′ da primeira etapa, o atacante aproveitou o rebote do goleiro palmeirense e chutou cruzado para marcar o gol do título do Bugre e fazer o Brinco de Ouro explodir em alegria.

Números da conquista

Na oportunidade o Campeonato Brasileiro era disputado por 74 equipes. Na fase preliminar o Bugre realizou 11 partidas com 5 vitórias, 4 empates e 2 derrotas. Classificado à fase  semifinal, o Guarani realizou 8 partidas, sendo 3 vitórias, 3 empates e 2 derrotas. Na fase final foram 7 jogos, 6 vitórias e 1 derrota com destaque para o sonoro 3 a 0 diante do Internacional, no Beira-Rio.

A fase de quartas de final foi disputada em dois jogos. O Bugre venceu o Sport, na Ilha do Retiro, por 2 a 0 com gols de Zenon e Capitão, na partida de ida e no Brinco de Ouro aplicou uma goleada de 4 a 0. Na semifinal foi a vez de bater o Vasco.  No Brinco, 2 a 0. A partida para decidir o finalista aconteceu no Rio de Janeiro e o que se viu foi um show de Zenon. O Guarani venceu novamente por 2 a 1 e enfrentaria o Palmeiras nas finais.

Em 10/08/1978, o alviverde campineiro foi até São Paulo, no Morumbi, e com gol de pênalti de Zenon, venceu a primeira partida por 1 a o. Três dias depois, a grande final, em Campinas, com a presença de mais de 28 mil pessoas no Brinco de Ouro, o Bugre venceu também por 1 a 0, com gol do prodígio Careca.

Ao todo, a campanha do Guarani teve 32 partidas com 20 vitórias, 8 empates e 4 derrotas. Carlos Alberto Silva conseguiu um aproveitamento de mais de 70% no comando da equipe.

Sem o comandante

O técnico do time campeão brasileiro faleceu em Janeiro deste ano, em Belo Horizonte, onde residia. O Guarani Futebol Clube é grato a todos que fizeram parte deste enorme feito e aproveita a oportunidade para homenagear mais uma vez o nosso eterno comandante. Obrigado por terem conquistado a nossa maior glória.

Comemorações

As comemorações dos 107 anos do Guarani Futebol Clube serão realizadas após o Campeonato Paulista da Série A2. A diretoria do Alviverde está preparando uma programação especial para a comemoração desta data especial.

Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no email
Email