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Futebol é inclusão: Cuidados especiais para pessoas com Síndrome de Down

Por Guarani Futebol Clube
Publicado em 17/03/2018, às 11:48.

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Para encerrar a série de três reportagens especiais sobre conscientização da Síndrome de Down, o Guarani Futebol Clube expõe, neste sábado um artigo sobre os cuidados especiais necessários para esta ocorrência genética. As orientações são destinadas às famílias com o objetivo de favorecer o bem-estar e desenvolvimento de crianças com Síndrome de Down.

Durante a infância das crianças com Síndrome de Down (SD) os pais devem seguir as orientações pediátricas gerais, porém precisam estar atentos a alguns problemas de saúde que podem ocorrer com maior frequência.

Nos primeiros trinta dias de vida é necessário um cuidado especial com a alimentação. O aleitamento materno é de extrema importância para estimular a imunidade desses bebês, porém alguns podem ter dificuldade na pega do seio materno, mamar muito lentamente ou dormir muito entre uma mamada e outra. Vigiar de perto o ganho de peso é a melhor forma de acompanhar a saúde do bebê nas primeiras semanas de vida. Existe também um risco aumentado para refluxo gastroesofágico e algumas malformações do estômago e intestinos que precisam ser investigadas sempre que houver baixo ganho de peso, vômitos repetidos ou dificuldade de eliminação de fezes.

O risco de existência de algum tipo de malformação cardíaca na SD é de aproximadamente 50% sendo então muito importante uma avaliação cardiológica cuidadosa já no nascimento. Se a criança ficar ofegante, pálida, “roxinha”, suar excessivamente ou aparentar cansaço durante ou após as mamadas, o médico deve ser procurado para uma avaliação.

Lembrar sempre de conferir os resultados do Teste da Orelhinha e do Teste do Pezinho, pois problemas auditivos e hipotireoidismo congênito ocorrem mais frequentemente em crianças com SD. Devido ao aumento da susceptibilidade a infecções respiratórias os pais precisam evitar ao máximo levar o bebê a lugares fechados e/ou com alta concentração de pessoas, principalmente nos meses frios.

No decorrer dos primeiros seis meses de vida, as crianças com SD precisam ser levadas ao oftalmologista para avaliar problemas comuns como obstrução do canal lacrimal e estrabismo; e aquelas com respiração ruidosa, roncos, despertares noturnos muito frequentes ou otites de repetição necessitam de uma avaliação com o médico otorrinolaringologista.

Entre seis meses e um ano de idade a família tem de ficar atenta aos sinais de disfunção neurológica, pois crianças com SD tem risco aumentado para convulsões, incluindo espasmos infantis (1 a 13%) entre outras condições neurológicas. Nesta faixa etária, continua sendo importante o monitoramento da função da tireoide com exames de sangue para medir o TSH (hormônio estimulante da tireoide).

A possível existência de anemia também precisa ser monitorada de perto pelo pediatra, assim como o calendário vacinal e o ganho de peso/altura.

Vitória Rodrigues de Oliveira com muito charme comemorando as vitórias do Guarani

Entre um e cinco anos de idade o cuidado precisa ser redobrado quanto aos riscos de perda auditiva e visual que podem dificultar o desenvolvimento da linguagem e da interação social dessa criança. Quanto aos problemas neurológicos, existe um aumento do risco da luxação da primeira vértebra cervical, portanto, movimentos bruscos de extensão do pescoço têm de ser evitados e sintomas como mudanças do jeito de andar, inclinação da cabeça, dor no pescoço e fraqueza em braços e pernas devem ser sempre avaliados por um neurologista. Medidas anuais da função da tireoide permanecem essenciais, assim como o acompanhamento do desenvolvimento global da criança mediante terapias de estimulação precoce.

Sabendo o que esperar em cada faixa etária os pais podem detectar os problemas mais rapidamente e buscar a ajuda profissional necessária para que as crianças com SD tenham uma infância com m

ais qualidade de vida, evitando possíveis complicações.

Políticas públicas para garantir mais bem-estar

O cuidado com a saúde da pessoa com Síndrome de Down é norteado pelas políticas públicas do Ministério da Saúde como a Política Nacional de Humanização, Programas de Saúde da Criança e do Adolescente, Saúde da Mulher, do Homem, do Idoso, Saúde Mental e no Relatório Mundial sobre a Deficiência.

O Ministério da Saúde, após consulta pública, definiu o Manual de Atenção à Saúde da Pessoa com Síndrome de Down, lançado em 2013, com o objetivo de orientar profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS). Nele estão as orientações aqui citadas, assim como outras recomendações. Essa é uma ação do Plano Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência–Viver Sem Limite para a construção de um Protocolo Clínico para o tema.